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As novidades da chegada preenchem o olhar com sutilezas. Assim, com uma lente de aumento sobre os detalhes, uma equipe de designers, coordenada por Paula, descobria o município de Helvécia, na Bahia, quando reparou que as artesãs tinham o hábito de fazer crochê. Até aí, nada de mais. O curioso é que, em vez de arrematar suas peças, à certa altura, as mulheres desmanchavam todo o trabalho. Depois recomeçavam, com a mesma lã. E daí por diante, como antes: lá pelas tantas, voltavam a descosturar tudo.

 

Com aquele eterno faz-e-desfaz, as artesãs produziam para si mesmas apenas uma distração passageira. Mais do que isso, mesmo que quisessem, não poderiam: na região faltava material. A pouca lã disponível tinha que render nas mãos das mulheres.

 

Mas se por um lado Helvécia carecia dos artigos de armarinho, por outro, vizinho de uma fábrica de papel e celulose, o município tinha a seu dispor um amplo suprimento de sobras da atividade industrial. Diante desse cenário, as designers propuseram um encontro entre a técnica que as artesãs dominavam e o material que tinham em abundância: foi assim que, juntas, criaram o crochê com lascas de eucalipto.

 

A partir de então, as mulheres de Helvécia passaram a trançar uma coleção completa de produtos, entre cachepôs, fruteiras e luminárias. Sem abandonar suas agulhas, elas descobriram uma nova aplicação para suas habilidades. E enquanto passam o tempo, dedicadas à sua nova produção, as artesãs reparam em volta e percebem que, para além da falta e da escassez, há sempre alguma riqueza que pode ser revelada.

1/5

/// equipe

 

 

Paula Dib

Mariana Costa

Cristina Filizzola

Estefânia Machado

 

PROJETO: Instituto Supereco para Suzano Papel e Celulose

 

 

[Período de realização: 2005/2006]