O quadro negro era praticamente o único material de apoio dos professores. Na escolinha de Impire, em Moçambique, não havia livros para as crianças. Brinquedos pedagógicos, menos ainda.

 

Proposta pela Fundação Aga Khan, a solução para o problema começou a ser pensada num “passeio”: juntos, enquanto percorriam a aldeia, Paula Dib e um grupo de educadores locais iam recolhendo galhos, bambus, sementes, sabugos de milho, penas, caracóis, fios de pneu e tudo o mais que encontrassem, descartado ou disponível na natureza. A partir de então, os educadores foram convidados a fazer um outro passeio. Desta vez, rumo à infância: recordando seus tempos de criança, cada adulto criou, com os materiais trazidos da coleta coletiva, os primeiros protótipos de brinquedos que desenvolveram com o apoio de Paula, nos seis dias seguintes.

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Inês nunca havia pensado em inventar miniaturas de animais com espigas de milho. Manuel se surpreendeu com o carrinho que saiu de suas mãos, a partir de um pedaço de bambu. Assim, os educadores descobriram a abundância de recursos à sua disposição, ao redor da escola. Enquanto isso, uma plateia muito atenta acompanhava tudo: durante todo o processo, as crianças estiveram sempre por perto, testando os jogos, bonecas e instrumentos musicais que tomavam forma na oficina de gente grande.

 

Criado por um dos educadores, um óculos feito de arame caiu nas graças do povoado: cada um queria ter o seu. E o melhor de tudo é que, sim, era possível. Logo, a molecada toda desfilava com suas armações vazias. As lentes de vidro eram desnecessárias: naquele momento, fossem crianças ou adultos, todos já enxergavam a realidade com olhos mais lúdicos.

/// equipe

 

 

COORDENADOR DO PROJETO: Emile Badran

 

ARQUITETA: Ana Luísa Lo Pumo

 

DESIGNER: Paula Dib

 

FOTÓGRAFO: Lucas Cuervo

 

 

[Ano de realização: 2011]